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Presidente do Brusque Jeep Clube é entrevistado por alunos da Escola Paquetá

07/08/2017

No pátio da escola, dois jeeps estacionados. Um colorido, ano 1951. O outro, mais moderno, ano 2015. E na frente dessas máquinas 4x4, mais de 300 pequenos observadores, alunos do 4º ao 9º ano da Escola de Educação Fundamental Paquetá. Na tarde desta quarta-feira, 2 de agosto, foi realizado no local a terceira edição da Semana Brusque, que integra as festividades de aniversário do município. A proposta era uma entrevista aberta com o presidente do Brusque Jeep Clube, Vilmar (Negão) Walendowsky.

Ele, que é apaixonado pela adrenalina off-road, parecia ansioso para compartilhar com os estudantes as aventuras incríveis que já viveu na direção de um jeep. Mas, a primeira pergunta foi inusitada. E, também, cheia de carinho.

Como foi a sua infância? Como você vivia e do que gostava de brincar?

Assim, de repente, aqueles dois jeeps ficaram pequenos. E, acomodados em bancos ou sentados pelo chão, aquela imensidão de crianças esperava quietinha pela resposta. Foi desconcertante e, ao mesmo tempo, muito especial.

“Nasci em Guaramirim, perto de Jaraguá do Sul. Fui criado em sítio e adorava brincar de um jeito que hoje iria apavorar qualquer mãe. Tinha um cafezal, onde as aranhas costumavam fazer ninho e fechar com uma tampa. A nossa diversão era abrir aquele buraco e cutucar a aranha”, contou Negão, provocando risos dos pequenos expectadores.

Ele também falou sobre o banho de rio no verão e o banho de bacia com água quente no inverno, no tempo em que ainda não havia energia elétrica e água encanada onde morava. Já em Brusque, lembrou das escolas por onde passou e de alguns professores que teve. Formado, Negão foi cursar o Técnico Têxtil no Rio de Janeiro e, depois, trabalhou por dois anos em Caxias do Sul.

“Nessa época o meu pai ficou doente e eu precisei voltar para trabalhar com ele aqui em Brusque. Também fui secretário de Turismo por quatro anos, com a missão de resgatar a Fenarreco que estava em baixa. Alcançamos este objetivo e registramos o maior público até hoje da festa: quase 23 mil pessoas em um único dia. Hoje sou aposentado e, às vezes, ajudo meu filho na empresa”, detalhou Negão.



A Fenajeep

Antes da fundação do Brusque Jeep Clube, em 4 de agosto de 1991, alguns amigos jipeiros já se reuniam para passeios e acampamentos. Depois, começaram a competir na categoria RAID (trilhas de 100 quilômetros) pela região. E, em uma conversa despretensiosa, surgiu a ideia de criar a Festa Nacional do Jeep, a Fenajeep.

“Parecia loucura e me chamaram de maluco. Como a gente poderia fazer a maior festa do Brasil se nem a festa a gente tinha? Mas abraçamos a ideia de forma confiante e insistimos neste sonho. No ano seguinte a abertura foi na sexta-feira. No sábado foi a largada do RAID e, no sábado e domingo, a competição indoor. Ao meio dia, depois da premiação, nós fechamos o evento e fomos embora. Daí começou a chegar gente de Itajaí, Blumenau, Gaspar. E percebemos que o evento tinha mesmo potencial”, enfatiza Negão.

Em 2018, a Fenajeep chega a sua 25ª edição e será realizada entre os dias 30 de maio e 3 de junho.



Identidade histórica

Negão apresentou aos estudantes muitas curiosidades, como o uso de jeeps para substituir os cavalos durante a 2ª Guerra Mundial e que o próprio nome “jeep” foi inspirado em um personagem do desenho animado do Marinheiro Popeye.

Porém, uma de suas histórias que mais chamou a atenção foi o que vivenciou em 4 de agosto de 1960, no Desfile do Centenário de Brusque. “Aqui, a maior parte das crianças era descendente de alemães e italianos. Como eu sou moreno, fui convidado para desfilar em um carro alegórico como filho do João Bugre. Foi algo que me marcou e é daí que vem o meu apelido”, diz Negão.

Assim como ele, a estudante Milena Eduarda Ferreira de Deus, de 14 anos, não nasceu em Brusque. Ela é do Paraná e há cinco anos mora aqui. Para ela e para a maioria dos alunos da Escola Paquetá é que foi criada a Semana Brusque.

“Uma boa parte dos nossos alunos não nasceu nesta cidade e o evento estimula justamente isso, conhecer a história de Brusque que agora é casa deles também”, conta a professora da disciplina de História e organizadora do evento, Regiane Pedrini Fischer.